CULTURA • CIÊNCIA • MEIO AMBIENTE
História ilustrada transforma ciência dos manguezais em leitura acessível
A UNESCO lançou nesta terça-feira, 27 de outubro, o quadrinho gratuito “Las Visiones del Manglar”. Apresentada durante a COP17 da Biodiversidade, a obra acompanha a jovem Valentina por manguezais da América Latina e do Caribe e combina ilustração, conhecimento científico e saberes de comunidades costeiras.
3 capítulos
Sementes, pessoas e raízes
7 reservas
Projeto regional de restauração
Acesso gratuito
Publicação digital em espanhol

O que é “Las Visiones del Manglar”
“Las Visiones del Manglar” é uma publicação ilustrada criada para explicar como os manguezais funcionam, quem depende deles e por que restaurá-los exige a participação de comunidades, pesquisadores e governos. O lançamento ocorreu durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, a COP17, realizada em Yerevan, na Armênia, entre 19 e 30 de outubro de 2026.
A narrativa acompanha Valentina em uma jornada de descoberta. Em vez de apresentar apenas conceitos técnicos, o quadrinho usa personagens, paisagens e situações cotidianas para mostrar a relação entre biodiversidade, conhecimento tradicional, trabalho e proteção das zonas costeiras.
A ilustradora Antonia Lara Gómez explicou à UNESCO que a equipe teve liberdade para unir criatividade, magia e cultura sem perder o respeito pelos territórios retratados. O resultado foi pensado tanto para leitores em geral quanto para professores, educadores ambientais, gestores públicos e profissionais de conservação.
Sementes, pessoas e raízes: o que aparece nos três capítulos
| Capítulo | Tema central | O que o leitor encontra |
|---|---|---|
| Las Semillas | Biodiversidade | A viagem de Valentina, a ecologia dos manguezais e a variedade de espécies que vivem nesses ambientes. |
| La Gente | Comunidades | Saberes tradicionais, modos de vida costeiros e o desafio de conciliar conservação e geração de renda. |
| Las Raíces | Restauração | Resiliência climática, recuperação de áreas degradadas e responsabilidade coletiva pelo futuro. |
Por que usar quadrinhos? A linguagem visual reduz a distância entre pesquisa e público. Conceitos como restauração ecológica, adaptação climática e serviços ecossistêmicos aparecem conectados a pessoas, escolhas e lugares concretos.
Por que os manguezais são decisivos para as zonas costeiras
Manguezais são florestas adaptadas à água salgada e à variação das marés. Suas raízes formam berçários naturais para peixes, crustáceos e moluscos, ajudam a reter sedimentos e reduzem a erosão. Esses ambientes também armazenam carbono e funcionam como barreiras diante de ondas, tempestades e outros eventos extremos.
26% do total mundial
A UNESCO estima que cerca de 26% das florestas de mangue do planeta estão na América Latina e no Caribe.
30 milhões de pessoas
Aproximadamente 30 milhões de pessoas vivem nas proximidades desses ecossistemas na região.
Até 25% degradados
Até um quarto dos manguezais regionais foi perdido ou severamente degradado desde 1980, segundo o projeto MangRes.
Esses números ajudam a explicar por que a UNESCO escolheu uma linguagem cultural para falar de conservação. A perda de um manguezal não afeta somente árvores: repercute na pesca, na alimentação, na proteção de moradias, no turismo de natureza e na memória de comunidades que convivem com as marés.
As sete reservas que inspiram o projeto
O quadrinho integra o projeto MangRes, do Programa Homem e a Biosfera da UNESCO. A iniciativa trabalha em sete reservas da biosfera e combina restauração ecológica, pesquisa, formação e troca de conhecimentos:
- Seaflower — Colômbia
- Península de Guanahacabibes — Cuba
- Macizo de Cajas — Equador
- Xiriualtique–Jiquilisco — El Salvador
- La Encrucijada — México
- Darién — Panamá
- Noroeste Amotapes Manglares — Peru
O projeto começou em 2022, entrou em uma nova fase de três anos em 2025 e é financiado pelo Governo de Flandres, com apoio do Organismo Autônomo de Parques Nacionais da Espanha. Embora as áreas-piloto não incluam o Brasil, as lições sobre restauração comunitária e educação ambiental são relevantes para toda a região.

O que a iniciativa tem a ver com o Brasil
O Brasil mantém manguezais ao longo de grande parte de sua costa. Eles sustentam cadeias alimentares marinhas, atividades pesqueiras e modos de vida tradicionais, além de proteger a linha costeira. O país possui o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais, o ProManguezal, instituído para integrar conservação, recuperação de áreas degradadas e valorização da sociobiodiversidade.
Para leitores brasileiros, a obra da UNESCO oferece duas contribuições práticas. A primeira é mostrar que conservação precisa considerar renda, cultura e participação comunitária. A segunda é apresentar um material que pode ser usado em escolas, museus, bibliotecas e projetos costeiros para aproximar crianças e jovens da ciência.
Essa conexão entre educação e patrimônio também aparece em outras pautas recentes do VSFast, como o seminário do MAM Rio e da UNESCO sobre museus e educação e o encontro sobre cooperativismo e patrimônio cultural.
Como ler o quadrinho gratuitamente
- Acesse o repositório digital oficial da UNESCO.
- Abra a publicação “Las Visiones del Manglar”.
- Use o leitor on-line ou as opções de download disponibilizadas pela plataforma.
- O material está em espanhol, com linguagem visual que facilita a compreensão por falantes de português.
Leia a publicação oficial
O arquivo gratuito está hospedado no acervo digital da UNESCO. Professores e educadores podem usar a obra como ponto de partida para atividades sobre biodiversidade, clima, comunidades tradicionais e litoral.
Perguntas frequentes
O quadrinho está disponível em português?
No lançamento, a versão disponibilizada pela UNESCO está em espanhol. As ilustrações e a proximidade entre português e espanhol tornam a leitura acessível, mas não substituem uma tradução oficial.
A publicação é gratuita?
Sim. O acesso é público pelo repositório digital da UNESCO, sem cobrança indicada na página oficial.
O Brasil participa do projeto MangRes?
As sete reservas-piloto listadas pela UNESCO ficam na Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, México, Panamá e Peru. O Brasil não aparece nessa relação, embora possua políticas próprias e extensas áreas de manguezal.
Para quem o material foi criado?
A obra atende leitores em geral e também pode apoiar professores, educadores ambientais, gestores públicos e profissionais que trabalham com conservação costeira.
Fontes e créditos
- UNESCO: lançamento de “Las Visiones del Manglar” em 27 de outubro de 2026
- UNESCO: projeto MangRes e reservas participantes
- Ministério do Meio Ambiente: ProManguezal
- Wikimedia Commons: Manguezal de Ilha Grande, CC BY-SA 4.0
- Wikimedia Commons: Mangrove roots, CC BY-SA 3.0
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