Mundo, Cultura e Turismo • Economia do turismo • 27 de outubro de 2026
Mais europeus estão olhando para a América do Sul. Mudanças nas rotas aéreas internacionais, a procura por experiências e a expansão de conexões criam uma janela para Brasil, Chile, Peru e outros destinos — mas os indicadores precisam ser lidos com cuidado.

Uma reportagem do Financial Times, publicada em 27 de outubro de 2026, aponta uma mudança nas escolhas de parte dos viajantes europeus: com as dificuldades de conexão aérea pelo Oriente Médio, destinos sul-americanos ganharam atenção. A informação não significa que todos os europeus estejam trocando a Ásia pela América do Sul, nem que o movimento tenha a mesma intensidade em todos os países.
O caso chama atenção porque combina turismo, transporte, economia regional e oportunidades para pequenas empresas. Segundo o jornal, a LATAM transportou 10% mais passageiros nas ligações Europa–América do Sul entre março e setembro de 2026, em comparação com igual período do ano anterior. O dado se refere a esse recorte de rotas da companhia, não ao crescimento total do turismo sul-americano.
Por que a América do Sul ganhou espaço nas viagens europeias?
A aviação internacional depende de grandes centros de conexão. Quando há restrições, cancelamentos ou incerteza em corredores importantes, o passageiro pode preferir rotas diretas, itinerários com menos escalas ou até mudar o destino das férias. Essa é uma das explicações apresentadas pelo Financial Times para a maior procura por viagens rumo à América do Sul em 2026.
O fenômeno é especialmente relevante para destinos que combinam praias, natureza, gastronomia, cultura e circuitos urbanos. Ainda assim, a decisão do viajante também depende de preços, vistos, disponibilidade de assentos, câmbio, temporada e percepção de segurança. Não é possível atribuir todo o aumento de viagens a uma única causa.
O presidente-executivo da LATAM, Roberto Alvo, relatou ao Financial Times aumento no transporte de passageiros europeus. O jornal também identificou interesse tanto por viagens de padrão elevado quanto por alternativas mais econômicas, sugerindo uma procura distribuída por diferentes faixas de consumo.
O que mostram os números de 2026?
Para interpretar a tendência, é importante separar estatísticas de reservas, passageiros transportados e chegadas internacionais. São indicadores relacionados, mas não intercambiáveis.
| Indicador | Resultado | Recorte e fonte |
|---|---|---|
| Passageiros Europa–América do Sul na LATAM | +10% | Março–setembro de 2026, ante 2025; FT |
| Reservas em aeroportos europeus para a América do Sul, excluída a Venezuela | +6,5% | Primeiro semestre de 2026; levantamento citado pelo FT |
| Passageiros totais transportados pela LATAM | 7,6 milhões | Setembro de 2026; comunicado da LATAM |
| Chegadas internacionais ao Brasil por via aérea | 4,48 milhões | Janeiro–agosto de 2026; governo brasileiro |
| Gastos de não residentes em viagens no Brasil | R$ 38,5 bilhões | Janeiro–agosto de 2026; Banco Central, via MPor |
Em comunicado oficial de 8 de outubro de 2026, a LATAM informou que transportou 7,6 milhões de passageiros em setembro, alta de 3,7% sobre setembro de 2025. A capacidade internacional da empresa cresceu 7,8% no mês. Esses números abrangem a rede da companhia e não equivalem à estatística específica de passageiros europeus mencionada pelo Financial Times.
Leitura essencial
Mais reservas e passageiros indicam procura crescente, mas não provam, isoladamente, aumento de lucro para hotéis, companhias aéreas ou cidades.
Brasil pode se beneficiar? O que os dados nacionais revelam
O Brasil já vinha registrando crescimento do turismo internacional antes da notícia sobre a mudança nas escolhas de europeus. Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, em 28 de setembro, 4.477.469 visitantes internacionais entraram no país por via aérea de janeiro a agosto de 2026. Os gastos de não residentes durante viagens alcançaram aproximadamente R$ 38,5 bilhões no mesmo período.
Esses gastos correspondem à receita de viagens apurada pelo Banco Central; não representam lucro líquido do setor e tampouco podem ser atribuídos apenas a turistas da Europa. O conjunto de visitantes inclui diversas nacionalidades e viagens de lazer, negócios e outros motivos.
Já um balanço da Empresa Paraibana de Turismo de 19 de outubro informa que o Brasil ultrapassou sete milhões de chegadas internacionais nos nove primeiros meses de 2026. O Nordeste, segundo a mesma fonte, registrou alta de 32,5% nas chegadas de estrangeiros por todas as vias de entrada, enquanto a Paraíba teve aumento de 48% nas chegadas por avião. São recortes diferentes e não devem ser somados.
São Paulo também oferece uma referência: a prefeitura da capital divulgou em setembro avanço de 4,4% no fluxo de turistas estrangeiros de janeiro a agosto, ante igual intervalo de 2025. A infraestrutura aeroportuária e os eventos urbanos ajudam a explicar por que a cidade pode funcionar como porta de entrada para viagens a outros destinos brasileiros.

Quais destinos sul-americanos entram no radar?
O levantamento citado pelo Financial Times destaca interesse em Brasil, Peru, Chile, Argentina e Equador. Isso não significa que esses cinco países tenham crescido na mesma proporção ou que exista uma classificação oficial de vencedores. Cada um oferece experiências e conectividade próprias.
Brasil: cidades, praias e natureza
Rio de Janeiro, São Paulo e outros polos turísticos podem atrair visitantes interessados em cultura urbana, gastronomia, litoral e roteiros de natureza. A experiência depende também de serviços de transporte, sinalização, idioma e qualidade da informação disponível antes da compra.
Peru e Equador: patrimônio e biodiversidade
Os dois países oferecem atrações culturais e ambientais, mas as condições de visitação a sítios protegidos, trilhas e parques variam. É recomendável conferir reservas, ingressos e orientações oficiais, especialmente em áreas sujeitas a limites de capacidade.
Chile e Argentina: roteiros de natureza e cidades
De paisagens andinas a centros culturais e regiões vinícolas, há alternativas para diferentes orçamentos e épocas do ano. A sazonalidade pesa: clima, neve, acesso a parques e disponibilidade de hospedagem podem alterar custos e a experiência.
Para contextualizar o cenário global, o VSFast já publicou uma análise sobre o turismo mundial em 2026. Os indicadores mundiais ajudam a evitar a leitura de que uma tendência regional representa automaticamente o comportamento de todo o mercado.
Oportunidades e desafios para hotéis, restaurantes e pequenos negócios
Quando aumenta a procura internacional por um destino, os efeitos potenciais se espalham por toda a cadeia de serviços: hospedagem, alimentação, transporte local, guias, experiências culturais, comércio e tecnologia de reservas. No entanto, a conversão desse interesse em receita depende de planejamento.
Para hospedagens: descrições claras em outros idiomas, políticas de cancelamento transparentes, fotografias reais e atendimento ágil podem reduzir dúvidas. Preços precisam considerar custos operacionais, impostos e comissões de plataformas, não apenas a tarifa exibida.
Para restaurantes e atrações: cardápios compreensíveis, informações de acessibilidade, horários atualizados e meios de pagamento adequados facilitam a jornada. Negócios que dependem de picos sazonais devem evitar investimentos baseados em projeções sem histórico local.
Para operadoras e agentes: é importante informar com precisão escalas, requisitos de entrada, condições de remarcação e possíveis mudanças de itinerário. O aumento da procura não elimina riscos de cancelamento, custo do combustível ou gargalos de infraestrutura.
Outro fator relevante é o preço das passagens. Veja também a análise do VSFast sobre como a alta do petróleo pode pressionar o custo das viagens aéreas. Tarifas elevadas podem reduzir a conversão de interesse em reservas efetivas.
Leia mais: o turismo também muda dentro do avião
Além da escolha de destinos, companhias aéreas estão revendo a oferta de serviços e a rentabilidade de diferentes classes. Entenda o contexto da aviação internacional.
Leia mais sobre o setor aéreoComo planejar uma viagem sem confundir tendência com economia garantida
Para o viajante, um destino em alta pode significar mais opções de voos, mas também maior procura por hotéis e atrações. Não existe garantia de passagens mais baratas. Antes de fechar um roteiro, vale comparar o custo total e não apenas a tarifa aérea anunciada.
- Compare datas e rotas: observe conexões, bagagens, aeroportos alternativos e tempo de deslocamento.
- Confirme regras oficiais: documentação, eventuais vistos, requisitos sanitários e regras de entrada podem mudar.
- Cheque condições de cancelamento: especialmente em bilhetes com escalas e pacotes vendidos por intermediários.
- Calcule o orçamento completo: hospedagem, seguro, transporte local, alimentação, taxas e câmbio.
- Consulte fontes oficiais: autoridades de turismo, companhias aéreas e canais consulares antes de viajar.
Se a viagem envolve múltiplos países, considere que cada fronteira pode ter exigências distintas. A informação publicada em redes sociais nem sempre corresponde à regra válida na data do embarque.
O que acompanhar nos próximos meses
O principal teste será verificar se a procura se mantém quando as condições das rotas internacionais mudarem. Para isso, vale observar a evolução das reservas, a oferta de assentos entre Europa e América do Sul, a ocupação hoteleira, os gastos dos visitantes e a sazonalidade em cada destino.
Uma elevação temporária das reservas pode não se transformar em tendência duradoura. Ao mesmo tempo, investimentos em conectividade, atendimento e promoção turística podem ajudar destinos a conquistar visitantes que inicialmente chegaram por uma mudança de itinerário.
Para o Brasil, os dados oficiais mostram um mercado receptivo expressivo em 2026. O desafio econômico é transformar essa demanda em experiências de qualidade e benefícios distribuídos pelo setor, sem extrapolar números nacionais para cada cidade ou negócio.
Perguntas frequentes
O turismo europeu para a América do Sul cresceu 10% em 2026?
O percentual de 10% citado pelo Financial Times se refere ao número de passageiros transportados pela LATAM nas rotas entre Europa e América do Sul de março a setembro de 2026, ante igual período de 2025. Não é uma taxa oficial de crescimento de todo o turismo europeu na região.
O Brasil recebeu mais de sete milhões de turistas estrangeiros em 2026?
Segundo dados divulgados pela PBTur com base em Embratur, Ministério do Turismo e Polícia Federal, o Brasil ultrapassou sete milhões de chegadas internacionais nos primeiros nove meses de 2026. O indicador inclui visitantes de várias origens e diferentes vias de entrada.
Viajar para a América do Sul ficou mais barato?
Não é possível afirmar isso a partir desses números. O custo depende da rota, da data, do câmbio, do combustível, da oferta de assentos e das condições de reserva.
Quais empresas podem aproveitar o interesse dos turistas?
Hotéis, restaurantes, guias, transportadoras e empresas de experiências culturais podem se beneficiar de maior demanda, desde que consigam atender bem e controlar custos. O resultado financeiro não é automático.
Fontes e transparência editorial
Esta reportagem foi preparada em 27 de outubro de 2026 com base em dados identificados e comparações de períodos equivalentes. Os números de empresas e governos foram apresentados com seus respectivos recortes. A avaliação de oportunidades para negócios é análise editorial, não previsão garantida.
- Financial Times — reportagem de 27/10/2026 sobre turistas europeus e América do Sul.
- LATAM Airlines Group — estatísticas operacionais de setembro de 2026, publicadas em 08/10.
- Ministério de Portos e Aeroportos — chegadas e receitas de viagens até agosto, 28/09/2026.
- PBTur — chegadas internacionais e desempenho regional, 19/10/2026.
- Prefeitura de São Paulo — turismo internacional até agosto de 2026, 21/09/2026.
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