Acordo Mercosul–EFTA com Noruega começa em 1º de novembro; veja o que muda

COMÉRCIO EXTERIOR • BRASIL E NORUEGA

Brasil e Noruega iniciam nova fase comercial

Empresas brasileiras poderão usar preferências tarifárias e cotas para vender carne bovina, frango, mel, milho, suco de maçã e outros produtos ao mercado norueguês. A mudança começa em 1º de novembro de 2026, mas exige regras de origem, licença e documentação correta.

Nesta reportagem: resumo · produtos · como usar · impactos · limites · perguntas · fontes

Terminal de contêineres no porto de Oslo, na Noruega
Terminal de contêineres no porto de Oslo. Foto: Trondheim Havn/Wikimedia Commons — CC BY-SA 2.0.

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) passa a valer entre Brasil e Noruega em 1º de novembro de 2026. A entrada em vigor abre uma etapa prática: produtos brasileiros poderão receber tratamento tarifário preferencial na Noruega, enquanto mercadorias norueguesas passam a acessar as condições negociadas para o mercado brasileiro.

O que entra em vigor em 1º de novembro

O tratado foi assinado em 16 de setembro de 2025, no Rio de Janeiro, após 14 rodadas de negociação. Como a vigência ocorre de forma bilateral, cada relação comercial começa quando os dois países concluem seus procedimentos internos. Brasil e Islândia iniciaram a aplicação em 1º de outubro de 2026; Brasil e Noruega entram na nova fase um mês depois.

Brasil–Noruega

Preferências começam em 1º/11/2026. A Noruega confirma que a aplicação inicial alcança Brasil e Uruguai.

Demais países

Suíça e Liechtenstein ainda dependem de etapas nacionais. Argentina e Paraguai também não iniciam automaticamente em novembro.

Segundo o governo brasileiro, a EFTA reúne um mercado de aproximadamente 15 milhões de habitantes e PIB de cerca de US$ 1,4 trilhão. Noruega e Suíça concentram 94% das exportações brasileiras ao bloco e 99% das importações vindas dos quatro países.

Quais produtos brasileiros entram nas cotas da Noruega

A Portaria Secex nº 548/2026 definiu os procedimentos brasileiros para as cotas tarifárias oferecidas pela Noruega. O mecanismo não significa acesso ilimitado com tarifa reduzida: o benefício vale dentro dos volumes negociados e depende da disponibilidade de saldo.

GrupoProdutos contempladosRegra operacional
ProteínasCarne bovina, carne de frango e preparações de frangoLicença específica e saldo de cota
AgrícolasBatatas, maçãs frescas, trigo duro e milhoAnálise por ordem de registro
AlimentosMel natural, melaço de cana, suco de maçã e farinha de sojaCertificado após deferimento e desembaraço
OutrosCavalos vivosModelo próprio de LPCO
Síntese dos produtos listados pelo Siscomex; códigos e condições devem ser conferidos no Portal Único antes da operação.
Navio atracado no porto de Oslo, na Noruega
Navio no porto de Oslo. Foto: Pudelek/Wikimedia Commons — CC BY 3.0.

Como o exportador acessa o benefício

  1. Confirmar o enquadramento do produto: verificar a classificação fiscal, o tratamento administrativo e se a mercadoria está coberta por cota ou preferência fora de cota.
  2. Comprovar a origem: o produto precisa cumprir as regras de origem do acordo; apenas sair do Brasil não basta para obter a preferência.
  3. Registrar o LPCO correto: os modelos estarão disponíveis no Portal Único Siscomex a partir de 1º de novembro.
  4. Observar o critério FIFO: para as cotas listadas, a análise seguirá a ordem de registro — “primeiro que entra, primeiro que sai” — enquanto houver saldo.
  5. Usar o enquadramento indicado: o Siscomex informa o código 80123 para exportações realizadas sob o acordo Mercosul–EFTA com a Noruega.
  6. Aguardar o certificado: depois do deferimento e do desembaraço da DU-E vinculada, o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul será emitido automaticamente no módulo LPCO.

Atenção antes de embarcar

O benefício tarifário não substitui exigências sanitárias, técnicas ou documentais da Noruega. Exportadores devem conferir a versão vigente das regras no Siscomex e alinhar a operação com despachante, importador e autoridades competentes.

O impacto esperado para o Brasil

Na entrada em vigor, os países da EFTA eliminam tarifas de importação de todos os produtos industriais e pesqueiros cobertos. Considerando bens agrícolas e industriais, o governo brasileiro estima que quase 99% do valor exportado ao bloco estará em listas de livre comércio; para a Noruega, a proporção informada é de 99,8%.

Isso amplia a previsibilidade para empresas brasileiras, mas não garante crescimento automático das vendas. Preço, escala, logística, certificações e concorrência local continuam determinantes. Para alguns produtos, a abertura é imediata; para outros, a redução ocorre em cronogramas de quatro, oito, dez ou quinze anos.

O acordo também alcança serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual, facilitação comercial e desenvolvimento sustentável. Na visão norueguesa, mais da metade de suas exportações de bens ficará livre de tarifa desde o início, enquanto outros itens terão redução gradual.

Em um cenário no qual o Brasil busca diversificar parceiros, a nova rota complementa discussões maiores sobre comércio e geopolítica. O VSFast já explicou como as relações entre China e Estados Unidos afetam dólar e Bolsa no Brasil e analisou a aproximação econômica e turística entre Europa e América do Sul.

O que o acordo ainda não resolve

  • Vigência não é uniforme: nem todos os oito países aplicam o tratado entre si na mesma data.
  • Cotas são limitadas: quando o saldo termina, o tratamento fora da cota pode voltar a valer.
  • Regras de origem importam: insumos de terceiros países podem afetar a elegibilidade.
  • Barreiras técnicas permanecem: requisitos sanitários, fitossanitários e de rotulagem continuam válidos.
  • Benefícios variam por produto: a tarifa pode cair imediatamente ou ao longo de até quinze anos.

Perguntas frequentes

O acordo começa para toda a EFTA em 1º de novembro?

Não. Nessa data, ele passa a valer entre Brasil e Noruega. Brasil e Islândia já iniciaram em 1º de outubro. Suíça e Liechtenstein ainda dependem de procedimentos internos.

Toda exportação brasileira terá tarifa zero?

Não. O tratamento depende do produto, do cronograma tarifário, das regras de origem e, em alguns casos, de cotas. A lista de livre comércio para a Noruega cobre 99,8% do valor exportado, segundo o MDIC, mas as condições não são iguais para todos os itens.

Quem pedir primeiro garante a cota?

Os pedidos serão analisados pelo critério FIFO, seguindo a ordem de registro, desde que estejam corretos e haja saldo. O simples registro não elimina a análise documental.

O consumidor brasileiro verá preços menores imediatamente?

Não necessariamente. Tarifa é apenas um componente do preço final. Câmbio, frete, impostos internos, margens e concorrência também influenciam.

Consulte os códigos antes da operação

O comunicado do Siscomex reúne os modelos de LPCO e o enquadramento exigido para cada produto. Verifique a versão vigente antes de registrar a exportação.

Fontes e créditos

Reportagem atualizada em 29 de outubro de 2026. O texto tem caráter informativo e não substitui orientação aduaneira ou jurídica.


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