UNESCO lança quadrinho gratuito sobre manguezais da América Latina; saiba como ler

CULTURA • CIÊNCIA • MEIO AMBIENTE

História ilustrada transforma ciência dos manguezais em leitura acessível

A UNESCO lançou nesta terça-feira, 27 de outubro, o quadrinho gratuito “Las Visiones del Manglar”. Apresentada durante a COP17 da Biodiversidade, a obra acompanha a jovem Valentina por manguezais da América Latina e do Caribe e combina ilustração, conhecimento científico e saberes de comunidades costeiras.

3 capítulos
Sementes, pessoas e raízes

7 reservas
Projeto regional de restauração

Acesso gratuito
Publicação digital em espanhol

Manguezal de Vila Dois Rios, em Ilha Grande, no Rio de Janeiro
Manguezal de Vila Dois Rios, em Ilha Grande (RJ). Foto: Brigiti Bandini/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

O que é “Las Visiones del Manglar”

“Las Visiones del Manglar” é uma publicação ilustrada criada para explicar como os manguezais funcionam, quem depende deles e por que restaurá-los exige a participação de comunidades, pesquisadores e governos. O lançamento ocorreu durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica, a COP17, realizada em Yerevan, na Armênia, entre 19 e 30 de outubro de 2026.

A narrativa acompanha Valentina em uma jornada de descoberta. Em vez de apresentar apenas conceitos técnicos, o quadrinho usa personagens, paisagens e situações cotidianas para mostrar a relação entre biodiversidade, conhecimento tradicional, trabalho e proteção das zonas costeiras.

A ilustradora Antonia Lara Gómez explicou à UNESCO que a equipe teve liberdade para unir criatividade, magia e cultura sem perder o respeito pelos territórios retratados. O resultado foi pensado tanto para leitores em geral quanto para professores, educadores ambientais, gestores públicos e profissionais de conservação.

Sementes, pessoas e raízes: o que aparece nos três capítulos

CapítuloTema centralO que o leitor encontra
Las SemillasBiodiversidadeA viagem de Valentina, a ecologia dos manguezais e a variedade de espécies que vivem nesses ambientes.
La GenteComunidadesSaberes tradicionais, modos de vida costeiros e o desafio de conciliar conservação e geração de renda.
Las RaícesRestauraçãoResiliência climática, recuperação de áreas degradadas e responsabilidade coletiva pelo futuro.
Estrutura apresentada pela UNESCO na página oficial do lançamento.

Por que usar quadrinhos? A linguagem visual reduz a distância entre pesquisa e público. Conceitos como restauração ecológica, adaptação climática e serviços ecossistêmicos aparecem conectados a pessoas, escolhas e lugares concretos.

Por que os manguezais são decisivos para as zonas costeiras

Manguezais são florestas adaptadas à água salgada e à variação das marés. Suas raízes formam berçários naturais para peixes, crustáceos e moluscos, ajudam a reter sedimentos e reduzem a erosão. Esses ambientes também armazenam carbono e funcionam como barreiras diante de ondas, tempestades e outros eventos extremos.

26% do total mundial

A UNESCO estima que cerca de 26% das florestas de mangue do planeta estão na América Latina e no Caribe.

30 milhões de pessoas

Aproximadamente 30 milhões de pessoas vivem nas proximidades desses ecossistemas na região.

Até 25% degradados

Até um quarto dos manguezais regionais foi perdido ou severamente degradado desde 1980, segundo o projeto MangRes.

Esses números ajudam a explicar por que a UNESCO escolheu uma linguagem cultural para falar de conservação. A perda de um manguezal não afeta somente árvores: repercute na pesca, na alimentação, na proteção de moradias, no turismo de natureza e na memória de comunidades que convivem com as marés.

As sete reservas que inspiram o projeto

O quadrinho integra o projeto MangRes, do Programa Homem e a Biosfera da UNESCO. A iniciativa trabalha em sete reservas da biosfera e combina restauração ecológica, pesquisa, formação e troca de conhecimentos:

  • Seaflower — Colômbia
  • Península de Guanahacabibes — Cuba
  • Macizo de Cajas — Equador
  • Xiriualtique–Jiquilisco — El Salvador
  • La Encrucijada — México
  • Darién — Panamá
  • Noroeste Amotapes Manglares — Peru

O projeto começou em 2022, entrou em uma nova fase de três anos em 2025 e é financiado pelo Governo de Flandres, com apoio do Organismo Autônomo de Parques Nacionais da Espanha. Embora as áreas-piloto não incluam o Brasil, as lições sobre restauração comunitária e educação ambiental são relevantes para toda a região.

Rede de raízes aéreas de mangue em área costeira da Bahia
Raízes de manguezal na Bahia. Foto: Jonathan Wilkins/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

O que a iniciativa tem a ver com o Brasil

O Brasil mantém manguezais ao longo de grande parte de sua costa. Eles sustentam cadeias alimentares marinhas, atividades pesqueiras e modos de vida tradicionais, além de proteger a linha costeira. O país possui o Programa Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Manguezais, o ProManguezal, instituído para integrar conservação, recuperação de áreas degradadas e valorização da sociobiodiversidade.

Para leitores brasileiros, a obra da UNESCO oferece duas contribuições práticas. A primeira é mostrar que conservação precisa considerar renda, cultura e participação comunitária. A segunda é apresentar um material que pode ser usado em escolas, museus, bibliotecas e projetos costeiros para aproximar crianças e jovens da ciência.

Essa conexão entre educação e patrimônio também aparece em outras pautas recentes do VSFast, como o seminário do MAM Rio e da UNESCO sobre museus e educação e o encontro sobre cooperativismo e patrimônio cultural.

Como ler o quadrinho gratuitamente

  1. Acesse o repositório digital oficial da UNESCO.
  2. Abra a publicação “Las Visiones del Manglar”.
  3. Use o leitor on-line ou as opções de download disponibilizadas pela plataforma.
  4. O material está em espanhol, com linguagem visual que facilita a compreensão por falantes de português.

Leia a publicação oficial

O arquivo gratuito está hospedado no acervo digital da UNESCO. Professores e educadores podem usar a obra como ponto de partida para atividades sobre biodiversidade, clima, comunidades tradicionais e litoral.

Perguntas frequentes

O quadrinho está disponível em português?

No lançamento, a versão disponibilizada pela UNESCO está em espanhol. As ilustrações e a proximidade entre português e espanhol tornam a leitura acessível, mas não substituem uma tradução oficial.

A publicação é gratuita?

Sim. O acesso é público pelo repositório digital da UNESCO, sem cobrança indicada na página oficial.

O Brasil participa do projeto MangRes?

As sete reservas-piloto listadas pela UNESCO ficam na Colômbia, Cuba, Equador, El Salvador, México, Panamá e Peru. O Brasil não aparece nessa relação, embora possua políticas próprias e extensas áreas de manguezal.

Para quem o material foi criado?

A obra atende leitores em geral e também pode apoiar professores, educadores ambientais, gestores públicos e profissionais que trabalham com conservação costeira.

Fontes e créditos

Continue no VSFast: veja também como a América do Sul ganhou espaço nas viagens de turistas europeus e acompanhe novas reportagens em Mundo, Cultura e Turismo.


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