Publicado em 2 de novembro de 2026 | Defesa naval e tecnologia militar. A fabricante sueca Saab apresentou nesta segunda-feira a CB90 CX (Combat Boat 90 Capability X), uma versão ampliada de sua conhecida lancha de combate, projetada para cumprir missões de vigilância, ataque a navios e defesa aérea de curto alcance. A principal novidade é a arquitetura preparada para operar com tripulação ou, quando configurada para isso, sem pessoas a bordo. A Suécia é a primeira cliente e a produção já começou, segundo a empresa.
O anúncio combina três tendências da guerra naval: a dispersão de sensores e armamentos por embarcações menores, a proteção contra drones e a automação de plataformas. Diferentemente de um grande navio de guerra, a proposta da CB90 CX é oferecer capacidade de reconhecimento e reação em áreas costeiras, arquipélagos e rotas de acesso marítimo. Isso não significa, porém, que todos os recursos tenham sido comprovados em combate.
O fabricante confirmou três configurações iniciais: ISR (inteligência, vigilância e reconhecimento), antinavio e SHORAD (defesa aérea de curto alcance). A versão de vigilância incorpora o radar Giraffe 1X; a de ataque foi apresentada com capacidade de atingir embarcações além do horizonte; e a de defesa aérea emprega um canhão automático antiaéreo. Os equipamentos exatos podem variar conforme o cliente e o estágio de integração.
A apresentação ocorre em um momento de maior atenção à segurança do Mar Báltico, às ameaças de drones no mar e à necessidade de proteger infraestrutura submarina. O projeto também dialoga com os testes gregos com veículos não tripulados e guerra eletrônica, embora sejam programas distintos e não haja anúncio de operação conjunta entre eles.
O que está confirmado até agora
Anúncio: 2 de novembro de 2026, pela Saab.
Primeiro cliente: Suécia; a produção foi iniciada.
Três versões: reconhecimento com radar, combate antinavio e defesa aérea de curto alcance.
Dimensões divulgadas: 18 m de comprimento, 4 m de largura e calado de 1,1 m; velocidade anunciada superior a 40 nós.
Limites da informação: não foram divulgados preço unitário, quantidade específica de CB90 CX encomendadas, data final de entrega ou demonstração pública de missão integralmente autônoma.
Como é a nova CB90 CX e o que mudou em relação à CB90 NG
De acordo com a ficha técnica publicada pela Saab, a CB90 CX mede 18 metros de comprimento por 4 metros de largura, com calado de aproximadamente 1,1 metro. A velocidade divulgada supera 40 nós, equivalentes a cerca de 74 km/h, e a configuração prevê de zero a dez pessoas a bordo. A propulsão usa dois motores de 1.100 hp. Esses números são especificações declaradas pelo fabricante, não resultados de uma avaliação independente.
A lancha é maior que a CB90 Next Generation, com mais espaço e capacidade para sensores, armas e equipamentos de missão. Em apresentação à imprensa, relatada pelo Naval News em 2 de novembro, a Saab informou que a capacidade de carga útil cresceu mais de 50% em uma comparação equivalente, saindo de cerca de três toneladas para mais de cinco toneladas. O dado ainda depende da configuração final de cada embarcação.
Outra mudança importante é a infraestrutura digital. A empresa descreve uma arquitetura de integração de sensores, monitoramento da embarcação e sistemas de armas, conectada ao software Autonomous Ocean Core. Na prática, o objetivo é permitir atualizações e diferentes formas de controle sem reconstruir toda a plataforma. Preparação para operação não tripulada, entretanto, não equivale a autonomia irrestrita em ambientes de combate.

Três missões: radar, mísseis e defesa contra drones
1. Reconhecimento e vigilância com radar Giraffe 1X
A configuração ISR é voltada à detecção de ameaças no ar e na superfície, à construção de um quadro de situação e ao compartilhamento de informações com outras unidades. O radar Giraffe 1X é o elemento mais visível dessa proposta. Segundo a apresentação técnica descrita pelo Naval News, o sensor é tridimensional e pode alcançar detecção aérea superior a 100 km em condições adequadas. Esse alcance é uma capacidade anunciada, não uma garantia de identificação de qualquer drone a essa distância: tamanho, altitude, relevo, interferência e assinatura do alvo influenciam o resultado.
O mastro retrátil ajuda a elevar a linha de visada do radar acima de ilhas e obstáculos costeiros. A ideia é criar postos de observação móveis, menos previsíveis que uma instalação fixa, capazes de apoiar embarcações maiores e unidades em terra.
2. Ataque antinavio além do horizonte
A segunda versão transforma a lancha em uma possível plataforma de ataque contra alvos de superfície. Durante a apresentação à imprensa, a configuração foi ilustrada com o míssil Marte ER, da MBDA. O alcance superior a 100 km citado para esse armamento depende da versão e de condições operacionais; além disso, um ataque além do horizonte exige dados de localização do alvo e coordenação com outros sensores.
Há uma distinção importante: o armamento mostrado demonstra uma possibilidade de integração. O fabricante não confirmou que todas as embarcações destinadas à Suécia serão entregues com Marte ER. O Naval News relata que as forças anfíbias suecas trabalham com outra solução de míssil. Por isso, seria incorreto apresentar a ilustração comercial como prova de uma configuração definitiva da frota.
3. Defesa aérea móvel de curto alcance
Na versão SHORAD, a lancha pode servir como posição móvel de defesa contra ameaças aéreas de baixa altitude, incluindo drones e helicópteros, com um canhão automático. Em entrevista relatada pelo Naval News, a Saab detalhou uma opção com o canhão naval SeaSnake 30, da Rheinmetall. A missão é complementar as camadas de proteção de outras forças, e não substituir sistemas de mísseis de médio ou longo alcance.
O desafio central é identificar e acompanhar pequenos alvos em movimento sem aumentar o risco de engajamentos indevidos. Uma plataforma rápida também enfrenta limitações de estabilidade, visibilidade, munição disponível e necessidade de coordenação com radares e comandantes.
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É realmente uma embarcação autônoma com inteligência artificial?
O termo mais preciso para a CB90 CX é opcionalmente tripulada. A arquitetura foi desenhada para permitir controle remoto e funções de autonomia, apoiadas pelo software Autonomous Ocean Core. A Saab não divulgou, no anúncio de 2 de novembro, uma demonstração independente de todas as três versões executando missões completas sem tripulação em condições reais de combate.
Também é importante separar automação de inteligência artificial. Um sistema pode manter rota, processar sensores ou auxiliar navegação sem que isso signifique autorização automática para usar armamentos. O próprio briefing relatado pelo Naval News indica que o objetivo é ampliar a flexibilidade dos operadores, mantendo pessoas no processo de decisão. Não há fundamento público para afirmar que o CB90 CX decide sozinho quando disparar mísseis ou canhões.
Em águas costeiras, a autonomia enfrenta problemas difíceis: interferência eletrônica, comunicação intermitente, tráfego civil, identificação de embarcações e mudanças rápidas do estado do mar. A capacidade de lidar com essas situações precisará ser demonstrada em testes específicos.
O que a Suécia já encomendou e o que ainda falta esclarecer
A Saab informou que a Suécia é a cliente de lançamento e que a produção da CB90 CX está em andamento. O Naval News acrescentou que a primeira embarcação estava em fase final de aceitação antes da entrega. Trata-se de um avanço industrial concreto, mas não de prova de que uma flotilha inteira já esteja operacional.
A família CB90 possui encomendas anteriores de diferentes gerações. O total de 36 embarcações citado pelo Naval News corresponde a pedidos da família, não a 36 unidades confirmadas da nova CB90 CX. Até a publicação desta reportagem, a documentação pública consultada não especificava a quantidade de CX, o valor exato do novo programa nem um cronograma fechado de entrada em serviço.
O anúncio também não identifica países estrangeiros que tenham contratado a CX. A afirmação de que a família CB90 já opera em nove marinhas diz respeito aos modelos anteriores e ao histórico do produto, não a nove clientes da nova versão.
Por que a nova lancha importa para a defesa do Báltico
O Mar Báltico combina rotas comerciais, ilhas, áreas de águas rasas, portos estratégicos e infraestrutura submarina. Nesse cenário, uma embarcação de menor porte pode explorar mobilidade e dispersão para observar setores, compartilhar dados e apoiar defesa costeira. É uma proposta diferente da concentração de todas as capacidades em poucos navios de grande valor.
O conceito também responde à disseminação de drones aéreos e marítimos. Em vez de tratar cada ameaça apenas com mísseis caros, forças navais procuram combinar radares, canhões, guerra eletrônica e plataformas não tripuladas. Isso não torna lanchas pequenas invulneráveis: elas continuam expostas a mísseis, minas, sensores inimigos e ataques de saturação, especialmente quando operam sem cobertura de outras unidades.
O uso de sensores e armas em embarcações dispersas cria outro desafio: compartilhar dados de maneira segura e suficientemente rápida. A utilidade da CB90 CX dependerá tanto da integração com redes de comando quanto do desempenho de seus motores e armamentos.
Vídeo: como funciona a geração anterior da CB90
O vídeo abaixo foi divulgado pelo canal oficial da Saab em setembro de 2021 e mostra a CB90 Next Generation no rio Tâmisa, em Londres. É um registro histórico da família de embarcações, não uma filmagem da CB90 CX apresentada em 2026.
Assistir ao vídeo oficial diretamente no YouTube.
Galeria: imagens oficiais e fotografia histórica



Direitos de uso: as duas imagens da CB90 CX foram disponibilizadas pela Saab em sua página de imprensa para cobertura editorial e mantêm o crédito © Saab; são ilustrações com marcação de IA, não fotos de operação. A terceira é fotografia licenciada sob Creative Commons, com autor, link e licença indicados. Nenhuma delas deve ser descrita como registro de combate da nova lancha.
O que é fato, anúncio comercial e hipótese
Fato documentado: a Saab apresentou a CB90 CX em 2 de novembro de 2026, divulgou especificações e três configurações e identificou a Suécia como primeira cliente, com produção iniciada. Declaração do fabricante: velocidade superior a 40 nós, maior capacidade de carga, operação opcionalmente não tripulada e integração de radar e armamentos. Informação ainda não comprovada publicamente: desempenho real em combate, disponibilidade operacional de todas as configurações, uso autônomo de armas, preço unitário e volume exato da encomenda da versão CX.
O lançamento não constitui evidência de preparação de ataque contra um país específico. É um programa de modernização naval cujo impacto dependerá de testes, integração de sistemas, treinamento e futuras entregas.
Perguntas frequentes sobre a CB90 CX
A CB90 CX já está em operação?
A Saab afirma que a produção para a Suécia está em andamento. Não apresentou confirmação pública de entrada em serviço operacional de todas as variantes.
A CB90 CX pode navegar sem tripulação?
Foi projetada para operação opcionalmente tripulada, com recursos de controle remoto e autonomia. Isso não comprova que todos os modos foram testados ou homologados.
Qual é a velocidade da CB90 CX?
A velocidade anunciada pelo fabricante supera 40 nós, aproximadamente 74 km/h. O desempenho real varia conforme carga e condições do mar.
A nova lancha dispara mísseis e derruba drones?
Existem configurações propostas para ataque antinavio e defesa aérea de curto alcance. O anúncio não prova que todas as armas já estejam integradas e operacionais nas embarcações suecas.
Quanto custa e quantas foram compradas?
Os valores unitários, a quantidade específica da nova versão CX e o cronograma completo não foram divulgados nas fontes oficiais consultadas.
Fontes e documentação
- Saab — comunicado oficial de lançamento, 2/11/2026.
- Saab — ficha técnica e descrição do produto CB90 CX.
- Naval News — reportagem técnica com informações de apresentação à imprensa, 2/11/2026.
- Saab — banco de imagens e orientações de material editorial.
- Wikimedia Commons — fotografia histórica e licença.
Apuração VSFast, 2 de novembro de 2026. Dados comerciais e militares foram atribuídos às fontes; hipóteses estratégicas estão identificadas como análise, não como confirmação de emprego operacional.
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