MASP abre três exposições sobre arte indígena e colonialismo

CULTURA • SÃO PAULO • GUIA DE VISITA

Arte indígena e memória colonial ocupam o MASP

Três exposições estreiam em 30 de outubro de 2026 no edifício Lina Bo Bardi. A programação reúne mais de 80 pinturas de Rosa Elena Curruchich, uma instalação de Pablo Delano e vídeos inéditos de Edgar Calel.

Fachada vermelha do MASP suspensa sobre o vão livre na Avenida Paulista, em São Paulo
MASP, na Avenida Paulista. Foto: Lucas Oriolo Rodrigues/Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Três exposições abrem no mesmo dia

O Museu de Arte de São Paulo inaugura, em 30 de outubro, três exposições ligadas ao ciclo anual Histórias latino-americanas. Embora tenham linguagens distintas, as mostras se encontram em questões como memória, território, identidade indígena e permanências do colonialismo.

ExposiçãoDestaquePeríodo
Rosa Elena Curruchich: crônicas de ComalapaMais de 80 pinturas30/10/2026 a 04/04/2027
Pablo Delano: Museu da Antiga ColôniaInstalação sobre Porto Rico e colonialismo30/10/2026 a 31/01/2027
Sala de vídeo: Edgar CalelObra inédita comissionada pelo MASP30/10/2026 a 31/01/2027
Programação oficial do MASP. As três exposições ficam no edifício Lina Bo Bardi.

O visitante pode ver as três mostras com o ingresso regular do museu. Como as datas finais são diferentes, quem pretende conhecer o conjunto completo deve priorizar a visita até 31 de janeiro de 2027, quando terminam as apresentações de Delano e Calel.

Rosa Elena Curruchich: uma pintura feita em segredo

A primeira retrospectiva de Rosa Elena Curruchich no Brasil reúne mais de 80 trabalhos. Nascida em Comalapa, na Guatemala, a artista autodidata pertencia ao povo Maya Kaqchikel e registrou cenas cotidianas, cerimônias e vestimentas de sua comunidade.

O MASP destaca que Curruchich manteve sua prática em segredo por medo de represálias. Essa condição ajuda a explicar o pequeno formato de muitas pinturas, que podiam ser transportadas discretamente. Além de dar visibilidade a uma artista pouco conhecida no Brasil, a mostra apresenta a produção de uma mulher indígena que trabalhou dentro de uma tradição pictórica iniciada entre os Kaqchikel nos anos 1930.

Os huipiles — vestimentas femininas artesanais — recebem atenção especial em sua obra. Mais do que elementos decorativos, eles comunicam pertencimento, técnica, memória comunitária e identidade.

Huipil de algodão com bordados coloridos da cultura Kaqchikel Maya de Comalapa
Huipil Kaqchikel Maya de Comalapa, década de 1950 ou anterior. Foto: Daderot/Wikimedia Commons, CC0. Imagem contextual; não integra necessariamente a exposição.

Pablo Delano transforma arquivo em crítica colonial

Museu da Antiga Colônia, do artista porto-riquenho Pablo Delano, é uma instalação formada por objetos, fotografias, jornais, filmes e revistas. O conjunto examina mais de cinco séculos de domínio colonial em Porto Rico, primeiro sob a Espanha e depois sob os Estados Unidos.

A proposta não é apresentar um museu histórico convencional. O título é irônico e questiona como instituições, imagens, mercadorias e classificações podem sustentar hierarquias raciais e versões oficiais da história. A curadoria é de Adriano Pedrosa e Fernando Oliva.

Conversa com o artista

Na sexta-feira, 30 de outubro, das 19h às 20h30, Pablo Delano participa de uma conversa com o curador Fernando Oliva no edifício Pietro, 9º andar. O encontro terá tradução simultânea entre português e espanhol, interpretação em Libras e vagas limitadas.

Edgar Calel conecta fogo, floresta e memória Kaqchikel

A Sala de Vídeo recebe trabalhos de Edgar Calel, artista nascido em San Juan Comalapa, também chamada Chi Xot. A obra central, Ru Q’an Ramaj – Escalera del Tiempo (2026), foi encomendada pelo MASP e aparece pela primeira vez nesta exposição.

Produzido em diálogo com o diretor brasileiro Fernando Pereira dos Santos, o vídeo reúne materiais gravados na Guatemala e no Brasil. O fogo funciona como imagem de conhecimento transmitido entre gerações; já a floresta, o jaguar, a família e a terra articulam diferentes formas de existência.

A apresentação é uma oportunidade de perceber como artistas indígenas contemporâneos combinam ancestralidade, cinema e questões atuais sem reduzir suas culturas a registros do passado.

Ingressos, horários, gratuidade e transporte

EndereçoAvenida Paulista, 1578, Bela Vista, São Paulo
InteiraR$ 85
Meia-entradaR$ 42 para estudantes, professores e maiores de 60 anos
Terça-feiraEntrada gratuita, das 10h às 20h; entrada até 19h
Sexta-feiraDas 10h às 21h; gratuidade das 18h às 21h e entrada até 20h
Quarta, quinta, sábado e domingoDas 10h às 18h; entrada até 17h
Segunda-feiraFechado
MetrôLinha 2–Verde, estação Trianon-MASP
Valores e horários consultados na página “Visite” do MASP em 29 de outubro de 2026. Agendamento online é obrigatório, inclusive nos dias gratuitos.

Crianças de até 10 anos, pessoas com deficiência e um acompanhante têm entrada gratuita. Para quem vai de carro, o museu informa estacionamento conveniado na Alameda Casa Branca, 41, com tarifa de R$ 25 por até 12 horas mediante carimbo do MASP. Como preços e regras podem mudar, confirme antes da visita.

Como organizar uma visita com boa leitura das obras

  1. Reserve o ingresso: o agendamento é exigido mesmo nos períodos gratuitos.
  2. Comece por Rosa Elena: observe o formato reduzido, as cenas do cotidiano e os huipiles antes de ler os textos curatoriais.
  3. Reserve tempo para Delano: a instalação tem muitos documentos e objetos; uma passagem rápida reduz a compreensão do conjunto.
  4. Termine na Sala de Vídeo: os filmes de Calel pedem permanência e atenção ao som, ao fogo e às relações entre pessoas, animais e território.
  5. Considere a sexta à noite: além da gratuidade após as 18h, a abertura inclui a conversa com Pablo Delano às 19h.

Quem acompanha exposições e patrimônio pode continuar a leitura no guia da 36ª Bienal em Vitória, na reportagem sobre a Feira Internacional do Patrimônio Cultural e na mostra com Picasso, Klee e Matisse em Miami.

Perguntas frequentes

Quando abrem as novas exposições do MASP?

As três exposições abrem em 30 de outubro de 2026. Rosa Elena Curruchich fica até 4 de abril de 2027; Pablo Delano e Edgar Calel, até 31 de janeiro de 2027.

É possível visitar o MASP de graça?

Sim. A entrada é gratuita às terças-feiras e às sextas a partir das 18h. Pessoas com deficiência e um acompanhante, além de crianças de até 10 anos, também têm gratuidade conforme as regras do museu.

Precisa reservar ingresso nos dias gratuitos?

Sim. O MASP informa que o agendamento online é obrigatório, inclusive nos períodos de gratuidade.

Qual é a estação de metrô mais próxima?

A estação Trianon-MASP, da Linha 2–Verde, fica junto à Avenida Paulista e é a opção indicada pelo museu.

Planeje a visita antes de sair

Consulte a programação oficial, confirme os horários e faça o agendamento online. A página do museu reúne detalhes das três exposições e acesso aos ingressos.

Fontes

Serviço atualizado em 29 de outubro de 2026. Confirme preços, horários e disponibilidade no site oficial antes do deslocamento.


Descubra mais sobre VsFast — Tecnologia, Notícias e Tendências

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

plugins premium WordPress

Descubra mais sobre VsFast — Tecnologia, Notícias e Tendências

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo