Caça F-5EM da Força Aérea Brasileira na Base Aérea de Canoas, fotografia de 2012
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FAB testa LINK-BR2: avião-radar E-99M envia alvos a três caças F-5M em voo

Uma nova etapa da comunicação militar brasileira foi demonstrada em voo. Na Campanha IRIS 2026, realizada na Base Aérea de Canoas (RS), caças F-5M receberam informações de alvos detectados por um avião-radar E-99M. O teste de 27 de outubro foi divulgado pela Força Aérea Brasileira (FAB) em 29 de outubro e integra a busca pela certificação operacional do sistema LINK-BR2.

O avanço não envolve um novo míssil nem uma aeronave inédita. Trata-se da capacidade de distribuir informações de sensores entre plataformas militares. Em operações aéreas, essa comunicação pode ajudar pilotos e centros de comando a compreender o cenário sem depender exclusivamente dos sensores de cada aeronave.

Segundo a FAB, a campanha ocorreu entre 19 e 30 de outubro de 2026 e empregou três caças F-5M e um avião-radar E-99M. O primeiro voo formal de certificação aconteceu em 20 de outubro; uma semana depois, os militares verificaram a integração com o E-99M.

O resultado é relevante, mas exige uma distinção: receber alvos em um ensaio não significa que o LINK-BR2 esteja definitivamente certificado ou integrado a todas as aeronaves da FAB. A própria instituição descreve os voos como parte do processo de certificação, não como anúncio de sua conclusão.

O que foi confirmado

20/10: primeiro voo de certificação da campanha. 27/10: transmissão bem-sucedida, segundo a FAB, de informações de alvos do E-99M para os F-5M. 29/10: divulgação oficial. Até 30/10: período programado da Campanha IRIS.

Como funciona o LINK-BR2 e por que ele importa

O LINK-BR2 é um sistema de enlace de dados táticos desenvolvido para permitir troca segura e criptografada de voz e informações entre aeronaves e estações em solo. O objetivo é criar uma visão compartilhada do ambiente operacional. Em vez de cada piloto analisar apenas o que seus próprios instrumentos detectam, a rede permite receber informações produzidas por outras plataformas conectadas.

No teste divulgado, o E-99M atuou como plataforma de detecção. Os F-5M, por sua vez, receberam os dados dos alvos. Isso exemplifica o conceito de consciência situacional compartilhada: uma aeronave com sensores de vigilância pode fornecer informações a outras aeronaves de combate, ajudando na coordenação de missões.

O significado operacional vai além de simplesmente trocar mensagens. Em uma força aérea conectada, a qualidade, a rapidez e a confiabilidade dos dados influenciam a capacidade de identificar contatos, reduzir desencontros de informação e coordenar decisões. Contudo, não foram divulgadas métricas públicas detalhadas de latência, alcance efetivo, resistência a interferências ou desempenho sob ataque eletrônico nesta campanha.

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O que aconteceu nos voos de 20 e 27 de outubro

Em 20 de outubro, equipes técnicas e pilotos de prova executaram o primeiro voo de certificação da edição de 2026. Conforme o comunicado oficial, o sistema passou por uma série de verificações. A FAB informou resultados positivos, mas não publicou a lista integral dos requisitos avaliados nem o percentual de itens concluídos.

Em 27 de outubro, o foco foi a integração com o E-99M. Durante a missão, o avião-radar identificou alvos, e os três F-5M receberam essas informações pelo LINK-BR2. A instituição descreveu a recepção como bem-sucedida. Esse é o resultado central e verificável do anúncio.

A campanha foi conduzida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), com participação da COPAC, do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), do Esquadrão Pampa, da Base Aérea de Canoas, do Comando de Preparo e de engenheiros da AEL Sistemas, desenvolvedora do projeto.

O papel do E-99M e dos F-5M

O E-99M é uma aeronave de alerta aéreo antecipado, equipada para detectar e acompanhar contatos aéreos. Em uma rede militar, plataformas dessa categoria ajudam a compor um quadro do espaço aéreo e a transmitir informações a unidades que executam outras tarefas. No caso de Canoas, a novidade anunciada foi o compartilhamento desses contatos com os caças participantes.

Os F-5M são versões modernizadas dos caças F-5 operados pelo Brasil. Embora sejam aeronaves de uma geração anterior, sua participação nos ensaios permite avaliar componentes de comunicação em um ambiente real de voo. O desempenho demonstrado, porém, não pode ser automaticamente extrapolado para todos os modelos da frota.

Avião-radar E-99 da FAB em fotografia histórica de 2009, anterior ao E-99M usado em 2026
Imagem de arquivo de um E-99 em 2009, não do voo de 2026 nem necessariamente da configuração E-99M. Foto: André Gustavo Stumpf Filho / Wikimedia Commons, CC BY 2.0.

Certificação: o que falta saber

A certificação operacional depende de um conjunto de requisitos e verificações, e não de um único voo bem-sucedido. A FAB informou que a Campanha IRIS 2026 tem como objetivo avançar nessa etapa. Até a divulgação consultada, não havia sido apresentado um certificado final, um cronograma definitivo de incorporação a toda a frota nem resultados técnicos completos.

O diretor-geral do DCTA, tenente-brigadeiro do ar Mauro Bellintani, avaliou que os resultados indicam maturidade crescente do sistema e abrem caminho para o planejamento de integração em outras plataformas após a certificação. Portanto, uma eventual ampliação para novos modelos deve ser tratada como perspectiva, e não como capacidade já confirmada pelo teste de Canoas.

O LINK-BR2 também não deve ser confundido com um sistema de inteligência artificial autônoma. O comunicado oficial descreve troca segura de dados e apoio à decisão humana. Não há base nessa divulgação para afirmar que o software selecionou alvos automaticamente, comandou disparos ou realizou engajamentos sem intervenção de pilotos.

Por que esse teste importa para a defesa do Brasil

Conectar sensores, aeronaves e centros de comando é uma das principais tendências da aviação militar. Isso pode permitir que diferentes unidades trabalhem com informações mais consistentes, especialmente em missões de vigilância e defesa aérea. A capacidade de comunicação segura também ganha importância em cenários com grande quantidade de dados e múltiplas plataformas.

Para o Brasil, o projeto tem dimensão tecnológica e industrial. A participação de organizações da FAB e da empresa AEL Sistemas indica um esforço de desenvolvimento e validação local. Isso não equivale, por si só, à independência integral de componentes estrangeiros ou à imunidade a interferências: tais afirmações exigiriam informações técnicas e contratuais que não foram divulgadas.

O avanço mais concreto é a verificação de uma função de integração entre um avião-radar e caças em voo. O desafio seguinte será comprovar o conjunto dos requisitos para o emprego operacional e esclarecer quais plataformas receberão o sistema, em que etapas e com quais limitações.

Galeria: aeronaves da FAB em imagens de arquivo

As fotografias abaixo são históricas e ilustrativas. Nenhuma delas registra a Campanha IRIS de outubro de 2026. Todas possuem licenças Creative Commons verificadas e atribuição individual.

F-5EM na Base Aérea de Canoas em 2012
F-5EM em Canoas (2012). Rafael Luiz Canossa, CC BY-SA 2.0.
F-5 da FAB em voo em 2004
F-5 em voo (2004). FAB / Agência Brasil, CC BY 3.0 BR.

Fatos, declarações e limites da informação

Fato documentado: a FAB divulgou os voos de 20 e 27 de outubro, a composição da campanha e o recebimento dos dados pelos F-5M.

Resultado atribuído à FAB: a transmissão foi bem-sucedida nas condições do ensaio, segundo a avaliação oficial; dados técnicos independentes não foram disponibilizados.

Ainda não demonstrado publicamente: certificação definitiva, integração de toda a frota, resistência em combate real, alcance operacional e eventual uso de IA para engajamento autônomo.

Perguntas frequentes sobre o LINK-BR2

O LINK-BR2 já está certificado para uso operacional?

O comunicado de 29 de outubro descreve uma campanha voltada à certificação e não anuncia sua conclusão definitiva. A situação deve ser acompanhada por novos comunicados oficiais.

Qual foi a principal novidade do voo de 27 de outubro?

Três caças F-5M receberam dados de alvos detectados pelo avião-radar E-99M durante um teste de integração do enlace.

O sistema já foi instalado em todos os Gripen F-39?

Não há confirmação disso no anúncio analisado. A FAB menciona a possibilidade de planejar a integração em outras plataformas depois da certificação.

Houve disparo de mísseis ou combate real?

Não há relato de disparos ou combate real na divulgação oficial da Campanha IRIS 2026. O foco descrito foi comunicação, testes e integração.

Fontes e transparência editorial

Nota editorial: reportagem original preparada com base em fontes identificadas até 1º de novembro de 2026. Não foi localizado vídeo público incorporável e verificável do voo de 27 de outubro; por isso, nenhum vídeo foi atribuído incorretamente ao ensaio. As fotos são de arquivo, com datas e licenças indicadas.

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