ÁSIA EM FOCO · ECONOMIA · TECNOLOGIA
1º de novembro de 2026 — Redação VSFast
As exportações sul-coreanas atingiram US$ 115,28 bilhões em outubro, avanço anual de 93,7%. O salto de 259,4% nas vendas de semicondutores reflete o investimento mundial em infraestrutura de inteligência artificial, segundo dados oficiais.
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Exportações quase dobram em outubro
A Coreia do Sul apresentou um dos resultados comerciais mais expressivos de sua história recente. O Ministério do Comércio, Indústria e Recursos divulgou em 1º de novembro dados preliminares indicando US$ 115,28 bilhões exportados em outubro, aumento de 93,7% sobre outubro de 2025. O resultado é o segundo maior valor mensal da série, atrás de setembro de 2026, e a maior taxa anual de crescimento desde janeiro de 1974.
O país acumulou US$ 930 bilhões em exportações entre janeiro e outubro, crescimento de 60,6% em relação ao período equivalente de 2025. O governo prevê superar US$ 1 trilhão ainda em novembro, mas essa marca ainda não foi efetivamente atingida.
Chips crescem 259,4% e representam quase metade das vendas
O motor principal foi a indústria de semicondutores: US$ 56,44 bilhões em outubro, alta de 259,4% em um ano e aproximadamente 49% do valor total exportado. A demanda mundial por memórias avançadas, servidores e infraestrutura de processamento de inteligência artificial ajudou a sustentar volumes e preços elevados.
Samsung Electronics e SK Hynix estão entre as principais fabricantes do setor. A forte demanda por capacidade de computação para IA cria oportunidades industriais, mas também expõe a economia a mudanças nos investimentos das grandes empresas de tecnologia.
As exportações de computadores aumentaram 496,6%, apoiadas pela procura por servidores. Os equipamentos elétricos também tiveram bom desempenho, beneficiados pela expansão dos centros de dados.
O efeito dos dias úteis e o que os números realmente mostram
Parte da alta anual decorre da diferença no calendário do feriado Chuseok: outubro de 2026 teve mais dias de trabalho que outubro de 2025. Contudo, mesmo após considerar os dias úteis, o valor médio diário exportado avançou 76%, para US$ 5,24 bilhões. Isso indica que a melhora não pode ser explicada apenas pelo calendário.
Os números essenciais
Exportações totais: US$ 115,28 bilhões (+93,7%)
Semicondutores: US$ 56,44 bilhões (+259,4%)
Importações: US$ 72,78 bilhões (+36%)
Superávit comercial: US$ 42,50 bilhões
Exportações acumuladas em 2026: US$ 930 bilhões
Estados Unidos, China e Sudeste Asiático compram mais
As exportações para os Estados Unidos cresceram 185,8%, para a China, 133,6%, para os países da ASEAN, 128%, e para a União Europeia, 56,4%. Esses avanços refletem a expansão da demanda internacional, sobretudo por bens associados à tecnologia e à produção industrial.
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O recorde não elimina os riscos econômicos
O avanço dos semicondutores aumenta a dependência do país em relação a um setor sujeito a oscilações de preços, ciclos de investimento e disputas comerciais. Uma desaceleração mundial na construção de centros de dados poderia reduzir a demanda por componentes.
Além disso, as importações cresceram 36%, alcançando US$ 72,78 bilhões, em parte devido aos preços mais altos do petróleo e à aquisição de equipamentos industriais. O saldo comercial permaneceu positivo em US$ 42,50 bilhões, embora abaixo do recorde de setembro.
O que muda para o Brasil?
O resultado sul-coreano mostra a importância crescente de chips, servidores e componentes na economia mundial. Empresas brasileiras que utilizam equipamentos de informática e infraestrutura digital podem sentir efeitos indiretos sobre disponibilidade, preços e investimentos. Entretanto, não é possível concluir que os preços de computadores no Brasil vão cair apenas porque a Coreia exportou mais.
Para empresas, investidores e governos, o principal sinal é estratégico: a infraestrutura de inteligência artificial tornou-se um vetor central de comércio e investimento. A sustentabilidade desse movimento dependerá do ritmo de expansão tecnológica, da energia disponível e da estabilidade das cadeias globais de fornecimento.
O que acompanhar nos próximos meses
Os próximos relatórios de exportação permitirão verificar se a Coreia do Sul ultrapassa US$ 1 trilhão em 2026 e se a demanda por semicondutores continua sustentando o crescimento. Também será importante observar a evolução dos preços dos chips, das exportações por destino e dos custos de energia.
Conclusão: os dados de outubro confirmam uma expansão extraordinária, mas o recorde acumulado e a projeção de US$ 1 trilhão não significam que todos os setores estejam crescendo no mesmo ritmo. A inteligência artificial está impulsionando o comércio sul-coreano, ao mesmo tempo que amplia a importância de administrar riscos industriais e geopolíticos.
Fontes e metodologia
Dados preliminares divulgados em 1º/11/2026 pelo Ministério do Comércio da Coreia do Sul; cobertura da Reuters. Valores em dólares dos EUA. As imagens e o vídeo são materiais contextuais de datas anteriores, devidamente identificados.
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