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Santander Brasil lucra R$ 2,9 bilhões no 3º trimestre, mas resultado cai 28%
A operação brasileira ampliou crédito e depósitos, porém enfrentou provisões maiores e rentabilidade menor. No mesmo período, o grupo global avançou 19% em lucro recorrente.
Publicado em 28 de outubro de 2026 • Leitura de 9 minutos

Resumo dos resultados em 60 segundos
O Santander Brasil registrou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,885 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O valor representa queda de 4,3% ante o trimestre anterior e de 28% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o informe oficial divulgado nesta quarta-feira, 28 de outubro.
O desempenho veio acompanhado por sinais mistos. A carteira de crédito ampliada cresceu 4,7% em doze meses, para R$ 721,3 bilhões, e as captações de clientes avançaram 6,3%, para R$ 701,3 bilhões. Em contrapartida, as despesas com provisões para perdas de crédito subiram e a rentabilidade recuou.
R$ 2,885 bi
Lucro recorrente no Brasil, queda anual de 28%.
R$ 721,3 bi
Carteira de crédito ampliada, alta anual de 4,7%.
11,9%
Retorno recorrente anualizado sobre o patrimônio.
O que pressionou o Santander Brasil
A principal pressão apareceu no custo do crédito. O resultado de provisões para devedores duvidosos, a reserva que o banco reconhece para absorver possíveis calotes, chegou a R$ 7,46 bilhões. O montante caiu 2,5% na comparação trimestral, mas aumentou 14,4% em doze meses.
A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, ante 3,3% no segundo trimestre e 2,8% um ano antes. O banco descreveu o ambiente de crédito como desafiador e afirmou estar priorizando segmentos considerados estratégicos, com disciplina na concessão e gestão dos portfólios.
A margem financeira bruta — diferença entre receitas de juros e o custo de captação, incluindo o resultado de mercado — foi de R$ 14,958 bilhões. Houve redução de 2,5% no trimestre e de 1,6% no ano. A instituição atribuiu parte do movimento à mudança do mix de crédito, com menor participação do segmento de baixa renda.
| Indicador | 3T26 | Variação anual | Leitura |
|---|---|---|---|
| Lucro recorrente | R$ 2,885 bi | -28,0% | Rentabilidade menor |
| Margem financeira | R$ 14,958 bi | -1,6% | Mix e spreads pressionados |
| Provisões de crédito | R$ 7,460 bi | +14,4% | Mais proteção contra perdas |
| Carteira ampliada | R$ 721,264 bi | +4,7% | Crédito continua crescendo |
| Captações de clientes | R$ 701,316 bi | +6,3% | Base de recursos avançou |
Cortes de despesas amorteceram a pressão
As despesas gerais somaram R$ 6,383 bilhões, queda de 3% frente ao trimestre anterior e de 0,6% em doze meses. O índice de eficiência ficou em 38,8%, ligeiramente melhor que os 39,3% do segundo trimestre, embora acima dos 37,5% registrados um ano antes.
A base total chegou a 77,1 milhões de clientes, crescimento anual de 6%, enquanto os clientes ativos aumentaram 3%, para 34,6 milhões. O banco informou que está usando dados e inteligência artificial para personalizar ofertas e agilizar processos, sem divulgar no relatório brasileiro um valor financeiro específico atribuído à IA.

Por que o grupo global cresceu 19%
O resultado consolidado do Banco Santander seguiu uma direção diferente. O lucro ordinário do grupo no terceiro trimestre atingiu € 3,848 bilhões, alta anual de 19%. Nos nove primeiros meses, o lucro ordinário foi recorde de € 11,176 bilhões, aumento de 16%.
A expansão foi apoiada pela maior atividade de clientes e pelas aquisições do britânico TSB e do norte-americano Webster. A receita acumulada em nove meses cresceu 8%, para € 46,807 bilhões. Sem os dois bancos adquiridos, os custos recuaram 1%, segundo o comunicado global.
O Santander também atribuiu € 194 milhões em valor de negócio ao uso de inteligência artificial ao longo do ano, considerando receitas adicionais, redução de custos e menores provisões. A cifra é uma estimativa da própria companhia e não equivale a uma linha contábil isolada.
O desempenho variou por região. A Reuters informou que o lucro trimestral aumentou 48% nos Estados Unidos e 40% no Reino Unido, enquanto caiu no Brasil devido às provisões maiores. Essa diversificação ajuda o grupo a compensar resultados mais fracos em mercados individuais, mas também amplia sua exposição a moedas, ciclos econômicos e integrações de aquisições.
Brasil e grupo: por que os números não são diretamente comparáveis
O contraste de alta de 19% no grupo e queda de 28% no Brasil é informativo, mas exige cuidado. Os resultados usam moedas, perímetros e bases contábeis diferentes. O balanço brasileiro segue BRGAAP e trata da subsidiária local; o consolidado global inclui operações em dez mercados e efeitos de aquisições.
- Brasil: lucro recorrente gerencial de R$ 2,885 bilhões no trimestre.
- Grupo: lucro ordinário de € 3,848 bilhões no trimestre.
- Não é uma conversão cambial: transformar euros em reais não torna os indicadores equivalentes.
- O ponto comparável é a direção: a operação brasileira perdeu rentabilidade, enquanto o grupo se beneficiou do avanço em outras geografias e de aquisições.
O dado que melhor resume o trimestre
O crédito cresceu no Brasil, mas o lucro caiu porque margem, inadimplência e provisões pesaram mais do que a expansão dos volumes. No grupo global, novas aquisições e mercados mais fortes compensaram a fraqueza local.
O que o balanço significa para clientes e investidores
Para clientes, o crescimento da carteira não indica automaticamente crédito mais barato ou aprovação mais fácil. O aumento das provisões e a inadimplência maior tendem a manter os bancos seletivos, especialmente em linhas sem garantia. Condições efetivas continuam dependendo de renda, histórico, garantia, prazo e política de risco.
Para investidores, três variáveis merecem acompanhamento: a recuperação do retorno sobre o patrimônio, a evolução da inadimplência e a capacidade de crescer a carteira sem elevar o custo de crédito na mesma velocidade. A melhora de custos ajuda, mas não substitui a necessidade de estabilizar margens e perdas.
O balanço também reforça uma tendência discutida em outras reportagens do VSFast: bancos e empresas de pagamentos combinam escala internacional, automação e novas infraestruturas digitais. Veja também a análise sobre dinheiro tokenizado nas tesourarias, o resultado global da Visa e a expansão de empréstimos da Revolut no Reino Unido.
Riscos e indicadores para os próximos trimestres
- Inadimplência: verificar se o índice acima de 90 dias estabiliza após chegar a 3,4%.
- Provisões: acompanhar se o resultado de PDD volta a crescer abaixo da carteira.
- Margem: observar a reação da margem com clientes e do resultado de mercado.
- Capital: o índice de Basileia encerrou setembro em 15,1% e o CET1 em 10,9%.
- Integrações globais: TSB e Webster podem elevar receitas, mas trazem custos e riscos de execução.
Como usar estes números
Compare resultados por vários trimestres, leia as notas contábeis e avalie lucro, capital e qualidade do crédito em conjunto. Um único indicador não resume a saúde de um banco.
Perguntas frequentes
Quanto o Santander Brasil lucrou no terceiro trimestre de 2026?
O lucro líquido gerencial recorrente foi de R$ 2,885 bilhões, queda de 4,3% no trimestre e de 28% em doze meses.
Por que o lucro caiu se a carteira de crédito cresceu?
O crescimento dos volumes foi insuficiente para compensar a pressão sobre a margem, as provisões maiores e a elevação da inadimplência.
O grupo Santander também teve queda no lucro?
Não no indicador recorrente global. O lucro ordinário do grupo no trimestre avançou 19%, apoiado por mercados mais fortes e pelas aquisições de TSB e Webster.
O balanço é uma recomendação para comprar ou vender SANB11?
Não. Resultados trimestrais são apenas uma parte da análise. Preço, riscos, estratégia, capital e perspectivas precisam ser avaliados em conjunto.
Fontes consultadas
- Santander Brasil — Informe de Resultados 3T26, publicado em 28 de outubro de 2026.
- Banco Santander — Resultados globais do terceiro trimestre de 2026.
- Reuters — Lucro global do Santander e desempenho por região, 28 de outubro de 2026.
Conteúdo informativo. Este artigo não constitui recomendação de investimento, oferta de crédito ou orientação financeira personalizada.
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