TECNOLOGIA • EMPRESAS • 28 DE OUTUBRO DE 2026
A fabricante fechou o primeiro trimestre fiscal de 2027 com receita de US$ 4,23 bilhões, lucro líquido de US$ 1,76 bilhão e uma projeção ainda mais alta para o trimestre seguinte.
O avanço expõe uma engrenagem menos visível da inteligência artificial: quanto mais dados modelos e serviços digitais produzem, maior é a necessidade de armazená-los com custo e consumo de energia controlados.

O resultado da Seagate em um minuto
A Seagate Technology divulgou na terça-feira, 27 de outubro, o balanço do trimestre encerrado em 2 de outubro de 2026. Embora a companhia o chame de primeiro trimestre fiscal de 2027, o período pertence ao calendário de 2026 — a diferença existe porque o ano fiscal da empresa começa antes do ano civil.
A receita chegou a US$ 4,233 bilhões, alta de aproximadamente 61% sobre os US$ 2,629 bilhões registrados um ano antes. O lucro líquido apurado pelas normas contábeis GAAP avançou de US$ 549 milhões para US$ 1,761 bilhão, mais de três vezes o resultado anterior. O lucro diluído por ação subiu de US$ 2,43 para US$ 7,59.
O crescimento veio acompanhado de margens maiores e forte geração de caixa. Segundo o comunicado oficial da Seagate, a margem bruta GAAP alcançou 57,3%, ante 39,4% no mesmo período do ano anterior.
Os números que explicam o salto
| Indicador | 1º tri. fiscal 2027 | 1º tri. fiscal 2026 |
|---|---|---|
| Receita | US$ 4,233 bi | US$ 2,629 bi |
| Lucro líquido GAAP | US$ 1,761 bi | US$ 549 mi |
| Lucro diluído por ação GAAP | US$ 7,59 | US$ 2,43 |
| Margem bruta GAAP | 57,3% | 39,4% |
| Margem operacional GAAP | 48,8% | 26,4% |
A empresa gerou US$ 1,7 bilhão em caixa operacional e US$ 1,5 bilhão em fluxo de caixa livre no trimestre. Também reduziu em US$ 1,2 bilhão o principal de sua dívida e devolveu US$ 568 milhões aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações. Depois do fechamento do período, informou o resgate de mais US$ 750 milhões em dívida, levando o saldo bruto para cerca de US$ 1,6 bilhão.
A combinação de receita maior, margens em expansão e disciplina de oferta ajuda a entender por que o lucro cresceu mais rapidamente que as vendas. Ainda assim, parte dos valores divulgados pela companhia é ajustada e exclui itens contábeis; por isso, a comparação acima privilegia os números GAAP.

Por que a inteligência artificial aumenta a procura por discos
A IA costuma ser associada a chips gráficos e memória de alta largura de banda, mas a infraestrutura precisa de outra camada: capacidade para guardar conjuntos de treinamento, cópias de segurança, históricos de interação, vídeos, imagens e conteúdo produzido pelos próprios modelos.
Nem todos esses dados precisam da velocidade — e do custo por terabyte — de uma unidade de estado sólido. Em grandes centros de dados, discos rígidos de alta capacidade continuam relevantes para informações volumosas que precisam permanecer disponíveis, mas não são acessadas com a mesma urgência de um banco de dados transacional.
Essa distinção ajuda a explicar por que a expansão de IA beneficia vários segmentos da cadeia. A SK Hynix cresce com memórias HBM para aceleradores; a Corning fornece fibra óptica para conectar data centers; e a Seagate tenta ampliar a densidade dos discos que retêm grandes volumes de informação.
Em termos simples: a IA não cria demanda apenas por computação. Ela também multiplica a quantidade de dados que empresas consideram útil conservar, organizar e recuperar.
HAMR: mais dados no mesmo espaço físico
Uma peça central da estratégia da Seagate é a gravação magnética assistida por calor, ou HAMR. A tecnologia aquece uma região minúscula do material magnético no instante da gravação, permitindo registrar bits em áreas menores sem perder estabilidade depois que o ponto esfria.

A companhia afirma ter colocado a plataforma HAMR em produção em escala e já enviar unidades de até 44 TB a dois grandes operadores de nuvem. Seu roteiro prevê discos de 50 TB ou mais no curto prazo e uma trajetória para 100 TB. Quanto maior a capacidade por unidade, menos baias, cabos e componentes auxiliares são necessários para armazenar o mesmo volume de dados.
Em 26 de outubro, a Seagate também anunciou que unidades Mozaic compatíveis com HAMR e gravação magnética em sobreposição receberam aprovação de interoperabilidade com adaptadores da Broadcom e qualificação na Microsoft Azure. O avanço facilita a adoção em ambientes de nuvem, mas não elimina o desafio de produzir esses discos com rendimento, confiabilidade e custo competitivos.
A projeção indica outro trimestre de expansão
Para o trimestre fiscal seguinte, a Seagate prevê receita de US$ 4,8 bilhões, com margem de variação de US$ 100 milhões. A estimativa de lucro ajustado é de US$ 9,20 por ação, com intervalo de US$ 0,20 para mais ou para menos.
A projeção é relevante porque sugere continuidade da demanda, não apenas um pico pontual. Ela também reforça a leitura de que provedores de nuvem estão contratando capacidade de armazenamento com antecedência para acompanhar a construção de data centers voltados à IA.
O cenário conversa com outros resultados recentes da indústria. A Teradyne elevou a projeção com testes de chips para IA e robótica, mostrando como o investimento em infraestrutura atravessa componentes, equipamentos de teste, redes, energia e armazenamento.
O que merece cautela
- Ciclo de investimentos: uma desaceleração nos gastos de provedores de nuvem pode reduzir pedidos e pressionar preços.
- Concentração de clientes: grandes compradores têm poder de negociação e podem alterar cronogramas rapidamente.
- Execução tecnológica: a expansão da HAMR depende de confiabilidade, rendimento fabril e aceitação em produção.
- Concorrência: a Seagate disputa mercado com outros fabricantes de HDD e, em algumas cargas, com SSDs.
- Métricas ajustadas: projeções de lucro não GAAP excluem itens que podem afetar o resultado contábil final.
O balanço é forte, mas não transforma a empresa em uma aposta sem risco. Este conteúdo tem finalidade informativa e não constitui recomendação de compra ou venda de ações.
Perguntas frequentes
Por que o trimestre fiscal de 2027 terminou em 2026?
Porque o calendário fiscal da Seagate não coincide com o ano civil. O primeiro trimestre fiscal de 2027 terminou em 2 de outubro de 2026.
Discos rígidos ainda são importantes na era dos SSDs?
Sim. SSDs oferecem menor latência, mas HDDs de alta capacidade costumam ser usados quando custo por terabyte e densidade são prioridades, como em grandes repositórios de dados e cópias de segurança.
O que é HAMR?
É a sigla em inglês para gravação magnética assistida por calor. Um laser aquece uma área microscópica do disco durante a escrita, permitindo maior densidade de dados.
O artigo recomenda investir na Seagate?
Não. O texto analisa resultados e tecnologia com base em informações públicas. Uma decisão de investimento exige avaliação de perfil, preço, riscos e diversificação.
Fontes e metodologia
- Seagate — resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027, 27 de outubro de 2026.
- Seagate — plataforma Mozaic 4+ e discos de até 44 TB, 2026.
- Seagate — interoperabilidade para infraestrutura de IA e nuvem, 26 de outubro de 2026.
Cálculos percentuais foram feitos pelo VSFast a partir dos valores GAAP divulgados pela companhia. Valores arredondados podem produzir pequenas diferenças.
Descubra mais sobre VsFast — Tecnologia, Notícias e Tendências
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.