Turismo internacional nos EUA cai 5,7% em 2026; entenda os motivos

MUNDO, CULTURA E TURISMO · ATUALIZADO EM 25/10/2026

A queda não é global: ela está concentrada no destino Estados Unidos

As chegadas de visitantes do exterior aos Estados Unidos — sem contar Canadá e México — recuaram 5,7% nos primeiros nove meses de 2026, após uma queda de 2,5% em 2025. O contraste chama atenção porque o turismo internacional segue crescendo em outras regiões.

O movimento afeta hotéis, companhias aéreas, restaurantes, atrações e cidades dependentes do gasto estrangeiro. Também muda o cálculo de quem planeja viajar: preços, regras de entrada, tempo de visto e percepção de acolhimento passaram a pesar mais na escolha do destino.

Skyline de Nova York à noite com o One World Trade Center
Foto: Ri5009 / Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0.

Os números mais recentes do turismo nos EUA

Segundo dados compilados a partir dos registros oficiais de entrada, as chegadas de mercados ultramarinos caíram 5,7% entre janeiro e setembro de 2026. A retração foi mais intensa entre viajantes da Europa Ocidental, com recuo de 8,7% no mesmo intervalo. O levantamento exclui Canadá e México dessa métrica específica, dois mercados que têm séries próprias e forte peso no total.

A National Travel and Tourism Office (NTTO) baseia a contagem nos registros eletrônicos I-94 fornecidos pelas autoridades de fronteira. Em atualização publicada em 5 de outubro, o órgão divulgou o volume total de viagens internacionais de julho; em agosto, a U.S. Travel Association registrou gasto doméstico em alta, mas volumes mais fracos de hotéis, passageiros aéreos e chegadas do exterior.

Interior do Terminal 1 do Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova York
Foto: Quintin Soloviev / Wikimedia Commons — CC BY 4.0.

O ponto central: o turismo interno amortece a desaceleração, mas não substitui totalmente o visitante internacional, que tende a permanecer mais dias e gastar mais por viagem.

Por que os visitantes estão diminuindo

Não existe uma única causa. Executivos do setor e entidades de turismo citam uma combinação de fatores: dólar forte, passagens caras, demora para obter visto, mudanças nas regras de entrada, receio de problemas na fronteira e um ambiente político que reduziu a percepção de acolhimento em alguns mercados.

  • Custo total maior: câmbio, hospedagem, alimentação, seguro e transporte urbano ficaram menos competitivos para vários países emissores.
  • Vistos e autorizações: prazos e exigências mais complexas aumentam o risco de comprar a viagem antes da aprovação.
  • Fronteira e fiscalização: notícias sobre detenções, buscas em dispositivos e cancelamentos de permissões alimentam insegurança, mesmo quando não representam a experiência da maioria.
  • Concorrência: Europa, Japão, Canadá, México e outros destinos disputam o mesmo viajante com campanhas, novas rotas e percepção de melhor custo-benefício.

Em setembro, a Reuters informou que as chegadas ultramarinas acumulavam queda de 4,7% até julho. A reportagem também apontou pressão do setor por filas menores para vistos, comunicação mais clara e procedimentos de entrada mais previsíveis.

Estrada panorâmica ao longo da borda do Grand Canyon nos Estados Unidos
Foto: Mike Norton / Wikimedia Commons — CC BY 2.0.

O impacto econômico vai além de hotéis e companhias aéreas

Viagens internacionais funcionam como exportação de serviços: o dinheiro gasto pelo visitante entra na economia americana sem que um produto físico atravesse a fronteira. Em 2025, o país recebeu 68,3 milhões de visitantes internacionais, queda de 5,5% sobre 2024, de acordo com a previsão da U.S. Travel. A entidade estimava recuperação parcial para 70,6 milhões em 2026, ainda abaixo dos 79 milhões de 2019.

O World Travel & Tourism Council calculou que o gasto de visitantes estrangeiros caiu 4,6% em 2025, para US$ 176 bilhões. Já uma redução de 1% nesse gasto equivale a cerca de US$ 1,8 bilhão a menos em exportações, segundo a U.S. Travel.

US$ 176 bi

Gasto internacional estimado nos EUA em 2025.

87%

Parcela aproximada do gasto turístico sustentada pelo mercado doméstico.

Vista aérea de Miami Beach na Flórida
Foto: Cuban Boy / Wikimedia Commons — CC0 1.0.

Quais destinos e empresas sentem mais

O efeito não é uniforme. Grandes portões de entrada — Nova York, Miami, Los Angeles, San Francisco, Las Vegas, Orlando e Washington — têm maior exposição a turistas estrangeiros. Cidades próximas à fronteira canadense também sentem a redução das viagens por carro e avião.

Hotéis de luxo e destinos com forte demanda doméstica mostram mais resistência. Em contrapartida, guias, pequenos operadores, lojas, restaurantes, museus e espetáculos que dependem de visitantes internacionais podem sofrer mais, porque têm menos escala para absorver meses fracos.

Para entender por que conectividade importa, veja o ranking do VSFast sobre os aeroportos mais movimentados do mundo em 2026. Rotas, frequências e capacidade aeroportuária influenciam diretamente preço e conveniência.

Vista panorâmica da Las Vegas Strip nos Estados Unidos
Foto: Julian Lupyan / Wikimedia Commons — CC0 1.0.

Nem a Copa do Mundo reverteu o quadro nacional

A Copa de 2026 gerou um impulso pontual. A U.S. Travel calculou que as chegadas internacionais às cidades-sede cresceram 0,7% durante o torneio, revertendo temporariamente a queda de 3,6% observada entre janeiro e maio. Ainda assim, o evento não apagou a fraqueza do ano.

Isso mostra que grandes eventos criam motivos claros para viajar, mas seus benefícios ficam concentrados em datas e cidades específicas. Para manter o fluxo, o setor precisa de rotas, preços, vistos e comunicação competitivos durante todo o ano.

Vista do Capitólio e do National Mall em Washington, Estados Unidos
Foto: Duane Lempke / Wikimedia Commons — CC0 1.0.

Como planejar uma viagem aos EUA em 2026

A queda na demanda não significa necessariamente tarifas baixas em todos os destinos. Quem pretende viajar deve verificar exigências oficiais antes de reservar e comparar o custo total, não apenas a passagem.

  1. Consulte a página oficial do Departamento de Estado sobre vistos e confirme prazos no consulado responsável.
  2. Verifique validade do passaporte, autorização ESTA quando aplicável e regras específicas para o seu perfil.
  3. Compare aeroportos de chegada: conexões alternativas podem reduzir tarifa, mas aumentar tempo e custo de transporte terrestre. Veja também o caso recente do aeroporto de Mumbai para entender como mudanças operacionais podem afetar itinerários.
  4. Reserve opções canceláveis enquanto o visto ou a autorização não estiverem confirmados.
  5. Calcule seguro, impostos, gorjetas, estacionamento, bagagem e câmbio antes de fechar o orçamento.

Quer comparar com um mercado em alta?

Veja como a Espanha projeta novo recorde turístico em 2026 e quais fatores sustentam o crescimento.

Fontes e metodologia

Este artigo cruza dados da NTTO, U.S. Travel Association e WTTC com reportagens publicadas pela Reuters e pelo Financial Times. Percentuais de chegadas podem variar conforme a definição adotada: “ultramarinos” exclui Canadá e México, enquanto “internacional” pode incluir ambos. Os dados mais recentes citados estavam disponíveis em 25 de outubro de 2026.

Conteúdo informativo. Regras de visto e entrada podem mudar; confirme sempre em canais oficiais antes da viagem.


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