Uma anã branca localizada a cerca de 280 anos-luz da Terra surpreendeu astrônomos por apresentar um tom esverdeado incomum. A descoberta oferece novas pistas sobre a química de estrelas que chegaram ao fim de sua evolução.
CIÊNCIA E ESPAÇO | 18 de outubro de 2026 | Redação VSFast

Uma pesquisa divulgada em outubro de 2026 identificou uma estrela anã branca cuja luz tem uma tonalidade verde-amarelada. O objeto, chamado WD J1330+6435, está na direção da constelação de Dragão, a aproximadamente 280 anos-luz da Terra. O resultado foi noticiado pela Reuters em 16 de outubro.
Por que a estrela parece verde?
A cor das estrelas normalmente é relacionada à temperatura de suas superfícies. Mas, nesse caso, a explicação está ligada à composição química da atmosfera estelar. Os pesquisadores encontraram sinais de elementos associados a detritos de antigos corpos planetários, incluindo sódio, cálcio e lítio.
Na atmosfera extremamente densa de uma anã branca, o sódio pode absorver uma faixa mais ampla da luz alaranjada e vermelha. O efeito modifica a luz que chega aos instrumentos de observação, produzindo a tonalidade esverdeada identificada pelos cientistas. Isso não significa que a estrela tenha a mesma aparência a olho nu em todas as condições: trata-se de uma característica estudada por meio de observações e modelos espectrais.
O que é uma anã branca?
Anãs brancas são remanescentes compactos de estrelas que esgotaram o combustível nuclear em seu núcleo. Elas podem concentrar grande quantidade de massa em um volume relativamente pequeno. A elevada gravidade cria condições atmosféricas muito diferentes das encontradas em estrelas como o Sol.
Esses objetos funcionam como registros da evolução estelar. Ao analisar sua luz, astrônomos conseguem investigar a composição de suas camadas externas e, em alguns casos, identificar vestígios de material proveniente de planetas e asteroides.

Um estudo que revela outras cores inesperadas
A análise envolveu 151 anãs brancas próximas e encontrou uma diversidade de tonalidades associadas à composição e às condições de suas atmosferas. Entre os exemplos citados está a WD J1011+2845, cuja aparência rosada foi relacionada à presença de carbono.
Os resultados ajudam a refinar modelos de atmosfera estelar e a compreender como elementos químicos alteram a luz emitida ou transmitida por esses objetos. Eles também oferecem informações indiretas sobre os sistemas planetários que podem ter existido ao redor das estrelas antes de sua transformação.
A descoberta muda o que sabemos sobre as estrelas?
O achado não significa que estrelas comuns possam simplesmente se tornar verdes. Ele destaca um fenômeno específico de anãs brancas, cuja densidade e composição atmosférica permitem efeitos pouco usuais. A principal contribuição científica está em explicar observações que não se encaixam nas expectativas mais simples sobre a cor estelar.
À medida que telescópios e levantamentos espectroscópicos acumulam dados, pesquisadores podem identificar mais objetos com assinaturas químicas incomuns e testar a precisão dos modelos utilizados para descrevê-los.
Fontes e leitura complementar
Reuters — Newly identified green star leaves astronomers amazed (16/10/2026).
Resumo: a estrela verde identificada pelos cientistas é uma anã branca cuja atmosfera rica em determinados elementos modifica a luz observada. A descoberta amplia o conhecimento sobre restos estelares e a história química de antigos sistemas planetários.
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